sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Os nossos velhos


 
 
Os nossos velhos, aqueles que cá brotaram entre as brumas da memória, são astrosos, soturnos e não têm bons modos.
 
Outrora heróicos. Já demos mundos novos ao mundo e hoje não damos nada.
 
Os nossos velhos são pouco literatos, refinados ou viajados e não estão em paz. 
 
Não são como os demais que vejo a bordo provenientes de outras fronteiras. Os nossos não viajam de encontro a luxuosos cruzeiros, são demasiado sérios para beber um cocktail às 16h, não aprenderam a reciclar, não lêem livros de bolso nem ousariam deixá-los para trás para outro ler.
 
Nem mesmo a imprensa rosa fica.
 
Afinal de contas, por quanto tempo é razoável guardar a TV7dias? 
 
Ficará também esquecida. 
 
Os nossos velhos são pobres e ficaram sem tapete no fim da vida. Não temos idosos, temos velhos por cá. Já não interessam e não estão na moda.
 
Plantaram alimentos e vida, lutaram em guerras e hoje nem conseguem descansar.
 
O ócio que lhes restou começa por volta das dez da manhã nos generalistas.
 
Repouso também têm pouco pois vivem na incerteza de como viverão cada dia.
 
Estão sós. 
 
Estão ruralmente isolados em todo o lado, mesmo que cercados por milhares de vizinhos.
 
Os nossos velhos que mais voam, são por norma os emigrantes. E dentro desta estirpe temos dois tipos, os que partiram e querem voltar um dia para gozar cá a reforma e aqueles que só vão voltando por motivos familiares e que optarão um dia em nem sequer fazer férias em Portugal. São os que infelizmente se aperceberam que existe uma realidade mais próspera, mesmo quando se é apenas um velho reformado. São aqueles que contrariaram o ditado e sabem que burro velho aprende línguas sempre que necessário. São aqueles que sabem que no fundo existem praias mais bonitas, marisco em mais sítios, ou diferentes e igualmente boas formas de comer bacalhau. Afastam queixumes e já não sabem o que é passar dificuldades, aprenderam a ocupar bem a cabeça e a rodearem-se de inteligentes escapes.
Estes velhos são leves de espírito, soltaram-se da saudade e da culpabilização ao doloroso passado.
 
Os nossos de cá aparentam estar mais cansados, mais infelizes e como se não bastasse, mais sós. Trabalharam muito e ganharam pouco. 
Têm mais saúde mas pouco lhes serve quando não têm mais nada nem ninguém. 
São também ingénuos e caem facilmente em qualquer sorriso e bugiganga. 
 
Num país de segundas pessoas do plural, é-lhes muito importante quem os rodeia, sobretudo os dos cargos importantes, os dos altos estudos, os de boas linhagens, ou até as personalidades da TV. Se lá vão é para se ter em consideração. São seres fascinantes e merecedores da demais atenção.
 
Os nossos velhos falam alto como se quem os escuta não ouvisse igualmente bem, exprimem-se muito e pouco lhes importa se estão a incomodar quem não tem interesse nas suas conversas. Sabem que aos poucos todos vão perdendo o interesse neles, portanto quando falam e alguém os escuta, não querem saber de mais nada.
 
Os nossos de cá, sem modos, com dores e nuvens constantes, são os que mais incomodam as carruagens e cabines repletas de adultos em busca de silêncio. São os que sabem que um dia serão iguais a estes velhos e esse medo aumenta a cada viagem, a cada dia de um novo mês.
 
Por vezes sou esta adulta, fruto de um vazio de ter crescido sem seniores na minha vida e numa grande cidade onde não se questiona o próximo e onde se ignora a velhice.
 
Sabemos que são assim, os nossos velhos, sem modos e infelizes, mal educados e rabujentos, desejosos de atenção. São os que não aguardam quem tem que sair primeiro das carruagens, ou os que se levantam de imediato assim que o avião aterra, os que o seu maior consolo é o copo cheio de tinto, ou os que olham descaradamente e sem educação.
 
Quantas mais vezes ouvirei que bom era uma sandes de leitão?
 
Que geração nova é esta que lhes quer dar comida sustentável e mais saudável? Que lhes ensina algo de novo? Que lhes pode mostrar outras razões? Que ser ...fóbico já não é a norma? Que existirão sempre novas conjeturas (sem ''C''). Sempre.
 
Que existe esperança.
 
Espero ser um dia  a grisalha que coloca livros lidos, escritos ou traduzidos na nossa língua, numa qualquer estante de um qualquer hotel deste mundo, aquelas repletas sempre de livros de bolso estrangeiros para qualquer um ler. Espero encontrar muitos outros em português em cada estante.
 
Quero temperar um bloody Mary às 16h enquanto um filho me faz companhia com um gin tónico, sem julgamentos.
 
Quero novas línguas.
 
Quero poder ler um livro em silêncio onde a minha única preocupação é qual será a melhor posição para segurar aquele livro, acompanhada pelo meu velho e por outros, também felizes e serenos.

 





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quarta-feira, 17 de abril de 2019




Nova vaga de contratações da TAP rouba tripulantes a companhias do Médio Oriente


Companhia aérea portuguesa está a reforçar equipas para colmatar falhas antigas e dar resposta a mais rotas e mais aviões. Neste ano vão entrar 500 pessoas para os quadros da companhia portuguesa. No ano passado entraram 1200.


Fecharam a porta a Portugal e à crise com um bilhete só de ida para o Médio Oriente. Cruzaram os céus em inglês ao serviço de companhias como a Emirates, Qatar ou Ethiad, mas agora, a nova vaga de contratações lançada pela TAP está a fazer regressar muitos tripulantes e pilotos para voarem com as cores nacionais.



(continuação)

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Próximos Open Days

Coimbrinhas, bracarenses, algarvios e alfacinhas





Estas empresas vão até vós!

Partilhem o vosso testemunho acerca destes open days.

Boa sorte a quem possa interessar!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Esta miúda




Esta miúda sonhava em viajar desde sempre.
 
 
No sétimo ano já vagueva com as aulas de Geografia e de História, perdia-se com histórias de faraós e intrigava-se com o país dos mil lagos.

Esta miúda apenas pôde sonhar e desejar que um tio afastado da família a levasse numa viagem com os primos. Era o máximo que teria.
 
Esta miúda voou já tarde, com um bilhete ganho num sorteio, na bolsa de turismo de Lisboa, feira encantada a que ia desde sempre coleccionar folhetos e mais sonhos. Uns anos sozinha, outros acompanhada, sempre de mochila, sempre certa que um dia poderia ver para lá do seu bairro dormitório em Lisboa.
 
Quis fugir. Quando a oportunidade surgiu, não hesitou. Foi. Não havia nada a fazer.
 
Foi voar alto, a 39.000 pés, longe do que conhecia e feliz pelas horas em que estava incontactável sempre que voava. Era uma benção e foi uma desculpa deliciosa durante anos.
 
Esta miúda não saberia como seria o calor abrasador dos países árabes, nem as suas orações sempre com vozes masculinas que ecoam por toda a cidade. Jamais imaginaria o som estridente que as mulheres árabes conseguem fazer - zaghareet, os chinelos à entrada das mesquitas, o cheiro intenso a especiarias, ou os gatos vadios a banhos com a sujidade.
 
Em adulta, já não esperaria necessitar de ajuda - e de fechar os olhos - para atravessar as caóticas ruas do Cairo, repletas de carros desenfreados, onde o acelerador parece estar ligado à buzina, originando uma sirene constante e a mais irritante banda sonora - "hey, don't worry. It's the system'', explicação dada e aparentemente plausível por lá.

Viu de perto alto e baixo-relevo nos túmulos egípcios e subiu a uma pirâmide de Gizé, como o Morgan Freeman - sem o amigo rico ou uma bucket list.

Jamais sonharia que um dia realizaria dezenas de voos com peregrinos para Mecca, e que se ainda fechasse os olhos, conseguiria escutar as orações típicas da descida para Jeddah - "labayka la shakira laka labbaik". E as discretas setas em todos os quartos de hotel a apontar a direcção de Mecca? Desconheceria, certamente. 
 
Ficaria sem saber o que é ser apedrejada em Constantina, Argélia, por ter ido passear pela cidade, num dia em que as mulheres ficam obrigatoriamente em casa a cozinhar e a celebrar o fim do Ramadão. Como saberia?

Frutos secos, souks, pechinchas do corniche, pita shoarma ou mango juice seriam o seu Oásis em meses duros por lá, aquela miragem de água no deserto, como nos filmes. Usar abayas e tentar passar por local, sempre atenta aos uniformes brancos da polícia reliogiosa e seus possíveis berros quando implicavam com o lenço da miúda. Perguntarem-lhe pelo seu dote. Tudo isto. Como saberia? Como imaginaria?
 
Esta miúda transportava militares da mesma forma que fazia voos humanitários para sítios em guerra. Transportava muçulmanos para a pedra negra e judeus para Tel Aviv. Trabalhava no norte mas também no sul da Nigéria. Tanto transportava passageiros low cost, como clubes ou bandas de renome. Percebeu também que inesperadamente podemos ser bem recebidos em cidades talibã e ser humilhados pelos desenvolvidos povos ocidentais. Habituou-se a não tomar partidos e viu de perto a pluralidade de culturas. Percebeu que o mundo é bem maior do que algum dia imaginava. É vasto e confuso. 

 
Esta miúda deliciou-se com semanas em praias ainda mais bonitas do que as que constavam nos catálogos Abreu, boiou em cenotes no México, nadou com tartarugas gigantes na grande barreira de coral australiana - viu de perto o seu repasto de medusas - nadou com tubarões, raias e golfinhos, pegou ao colo um koala, admirou um diabo-da-tasmânia e um dingo, e passou uma tarde sentada no meio de dezenas de cangurus. Deu banho a um elefante, viu e ouviu milhares de morcegos a voar nos céus de Cairns. Abraçou cães selvagens na ilha da Páscoa e foi assaltada por macacos no Sri Lanka, trauma ganho desde pequena no Zoo de Lisboa, quando um babuíno roubou à pequena miúda o seu sumo do bongo. O de 7 frutos, ainda para mais.
 
Foi muito melhor do que algum dia esperaria. Deixou de ver Vida Selvagem ao fim de semana na SIC de manhã e passou a ver tudo ao vivo. Todo o tipo de animais vivos.
 
Esta miúda dançou ao som de hip hop na Flórida, encantou-se com os musicais da Broadway, comeu lagosta em Boston e ouviu Alicia Keys, Jay-Z e John Mayer juntos num concerto surpresa em Times Square, por mero acaso.
 
Fez voos fretados apenas com reformados ingleses para irem de encontro aos seus cruzeiros - como a Mrs. Anne, 80 anos, que afastava a sua máscara de O2 para beber de uma só vez as garrafinhas de whisky dadas pela miúda, a quem lhe contava as histórias das suas paixões. Ia encontrar-se com o seu jovem namorado que trabalhava como músico no cruzeiro.  
 
Emocionou-se com cartas de passageiros a agradecer lhe irem ter salvo a vida e da história de um senhor idoso que foi vítima de um atentado no Afeganistão.
 
Passeou por mercados africanos, como um em Accra onde raramente era avistado um branco. Viu caixões em Lagos, Nigéria a serem vendidos nas bermas da estrada e trabalhou com nigerianos. Ainda hoje recorda o pssssssst quando a queriam chamar, o gimme jûce e o gimme rice

Correu como o Forest Gump a caminho da carrinha na Namíbia e no Rio de Janeiro, a fugir de assaltantes. Safou-se sempre. 
 
Foi ao cabo da Boa Esperança - o mítico cabo das Tormentas - andou descalça em inúmeros templos budistas, viu um pôr do sol mágico em Myanmar, usou um chapéu vietnamita e parou propositadamente no meio de uma estrada em Hanói, sem que nenhuma mota lhe tocasse. Fez massagens tailandesas e recusou delicadamente happy endings e ping pong shows
 
Foi a países nórdicos tão evoluídos e secretamente desejou mudar-se para lá. Passeou em Petra, Jordânia, uma das mais incríveis maravilhas. Serviu chá de coca a passageiros na Bolívia e sentou-se com a Mafalda do Quino em Buenos Aires
 
Esta miúda teve mais do que imaginou. Tem um mapa mundo muito riscado e um frigorífico que um dia cai com o peso dos ímans. Tem um vasto registo de sabores, cheiros e sons, memórias que jamais esperaria ter. Nada faria prever.

Teve uma sorte do caraças.

Esta miúda já não necessita de fugir, já entendeu que as viagens foram a sua viagem necessária. As viagens fizeram parte de uma maior e contínua viagem que teria um dia que travar em termos pessoais - a do compromisso. Viveu anos repletos de experiências fantásticas e entorpeceu. Percebeu que ''a liberdade absoluta, em si mesma, não significa nada''. Chafurdou em inúmeras terras e oceanos. Acabou por recusar alternativas, estreitar a liberdade e comprometer-se ao Mondego.


   

domingo, 30 de dezembro de 2018

Um bom ano!

Queria terminar o ano aqui no blog com uma boa oportunidade de emprego na área e desejar-vos a todos um excelente ano com muitos e bons voos!

Feliz 2019!


quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Portugueses pelo mundo - Aviação




Neste episódio do "Portugueses pelo Mundo", andamos pelo ar e conhecemos três portugueses que escolheram trabalhar em áreas ligadas a aviação na Europa e na América do Norte.

A viagem começa com o piloto da NATO Frederico Sousa, 37 anos, que vive em Heinsberg, na Alemanha. Enquanto nos guia pela base, fala-nos do seu percurso profissional, do trabalho na NATO e do funcionamento das missões. Convida-nos para acompanhar uma das missões em que está envolvido e, depois da missão, durante um passeio junto ao lago e pelo centro da cidade, apresenta-nos a família. A noite está reservada para um jantar de amigos, num restaurante português.
Da Alemanha seguimos para Filadélfia, nos Estados Unidos da América, onde Carlos Lopes, 36 anos, trabalha como comissário de bordo da American Airlines. Acompanhamos a saída de casa em direção ao aeroporto e a preparação de um voo para Boston. Com ele ficamos a conhecer uma antiga estação de comboios convertida em mercado, onde é possível encontrar comida e produtos do mundo, as Rocky Steps e a galeria de arte ao ar livre, Magic Gardens. Em dia do dérbi do Eagles contra o Dallas, assistimos ao jogo num bar, na companhia de amigos. 
É na Europa que continuamos a viagem e desta vez em Cambridge, em Inglaterra, onde Pedro Aguiar, 36 anos, trabalha para a Embraer, empresa fabricante de aviões. Guia-nos pelo hangar, onde se encontra o Legacy 500, um avião muito especial e na sua companhia disfrutamos de um passeio pelas ruas da cidade, sobre a qual descobrimos algumas curiosidades como os pointers, que navegam no rio e vão contando as histórias, como a árvore de Isaac Newton ou até das várias universidades, entre as quais a Kings College, a maior da cidade. Acompanhamos uma aula de cross-fit e um jantar num restaurante libanês, um dos seus preferidos.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Passageiros


O passageiro ou aquela coisinha simpática que vem agarrada ao Boarding Card. Esse mesmo. Este texto é para ti.

Aviação não era nada sem eles. Sabemos que a senhora de origem cabo-verdiana que limpa a casa de banho do aeroporto não trabalhava se não existisse o passageiro, que a Jordete que trabalha no aeroporto e comanda a porta de embarque como um general, só que com blush e salto alto, não trabalhava se ele não existisse, que o Comandante, aquela figura física de Deus era apenas um comum mortal se passageiros não existissem. Se não existisse, para quê cabineiras elegantes, TMAs, agentes de panca (rampa) ou catering, OCC Managers e toda panóplia de managers e deputies existentes nas diversas áreas de aviação, cujas siglas vão mudando de significado a par das tendências.

Posto isto, e já aqui referida a sua importância vital para o sector (sim, são vocês que nos pagam o ordenado), vamos lá falar de passageiros.

Tal como adoro cabineiros, não consegui excluir os passageiros deste rol de paixões fortes.

Adoro o passageiro bem disposto e educado, aquele que nos cumprimenta, que nos olha nos olhos. Adoro também o que entra a reclamar e que diz "Isto hoje em dia está cada vez pior", ou o que entra e que nos ignora. Este último pode ser porque se sente intimidado por nós e é apenas tímido (gosto de acreditar nisto) ou então é porque é apenas mal educado. Gosto daquela passageira atrevida que entra a meter-se com os comissários giros ou daquela que confessa logo ali à entrada que não está ali por opção. É a que tem pavor de voar.

Grande parte dos passageiros tem medo de voar. Percebemos isso de várias maneiras. São os que estão mais atentos ao que fazemos e dizemos nas fases mais críticas do voo. São aqueles que dão as mãos na descolagem aos parceiros ou aqueles que se benzem ao colocar o pé no avião. O direito, claro.

Adoro o passageiro brasuca bem disposto e aquele que julga que estamos lá para o servir. É cultural, malta.

Adoro aquele que pede tudo o que tem direito, pede água, café e coca-cola com gelo e limão. Repara que também existe sumo de tomate no carro. Também quer. Nem vale a pena perguntar se quer sal ou pimenta, óbvio que quer. E o stick também. Sem a cabineira ver, limpa os talheres e guarda-os na mala. Dão tanto jeito em casa. Pode sempre vender no OLX. COMO NÃO DÁ PARA LEVAR A MANTA?! Eu paguei! É minha! O colete também!

E aqueles passageiros que acham que o avião é a sua casa. Aqueles que cortam unhas, as pintam e até os que as elevam no banco da frente, as dos pés. Por que não.

O passageiro que mais gosto é aquele que fica tenso assim que o trolley (carrinho) de bebidas incluídas no bilhete se está a aproximar da sua fila. Esse passageiro já não se mexe quando está a duas filas de si, para de ler, ver filmes ou falar. Fica hirto e tenso, atento e com medo que a cabineira jovem se esqueça dele. Ele quer muito beber, só porque está incluído e ele tem esse direito. É um caso sério. Raramente este tipo de passageiro cumprimenta a tripulante. Está tão tenso que a cabineira não se atreve a esquecer dele, com medo que sofra um ataque cardíaco. Mas dá vontade. Assim que tem a bebida, os ombros relaxam e ele limita-se à pequenez da coisa.

O meu segundo preferido é aquele passageiro que adora aviação. Sabemos logo quem é, assim que entra a sorrir. É aquele que sabe o modelo do avião, a matrícula, sabe do novo modelo e do phase out de outro. É aquele que dá mais gosto agradar. É um tolinho que nos entende. Padece deste mal.

Adoro o passageiro que tem sempre um bom timing no que se refere a idas aos lavabos, pontos extra se for um avião com um corredor e no momento em que decorre o serviço.

Gosto do passageiro emigrante, do amor que sente pelo país, da alegria ao nos ver e ouvir. Muito respeito por este tipo de passageiro.

Adoro os passageiros pastinhas, os executivos altamente arrogantes e com inúmeros pertences caros. Ignoram em sofrimento que têm que respirar o mesmo ar que a plebe durante aquelas horas.

E aquela que não aceita ir apenas ao lavabo da classe que pagou? O de lá da frente é o dela, digam-lhe o que disserem. Não pagou Executiva, mas isso não interessa nada. Normalmente abre a cortina com muita atitude. Barreiras não são para esta senhora.

Adoro aquele que entra com a mala que excede as medidas, mala de mão, saco de duty free e casacão. Exige e reivindica a bagageira só para si. A hospedeira devia saber que ele pagou por ela. Miúda tola.

Gosto daquele que entende que isto de voar melhora com dois copinhos de vinho e gosto daquele que entendeu tão bem que até bebe do seu comprado no duty free. Não há cá limites para um verdadeiro liquid spirit. São os que acham que a cabineira não repara.

Adoro aquele que nos conta a vida toda e que só volta para o lugar quando o sinal de cintos se acende.

E aqueles que vão descalços aos lavabos?

Adoro o passageiro que dorme o voo todo e que ainda não se apercebeu que aterramos. Pode acontecer, se tomares e misturares coisas. Não julgamos.

Adoro os putos a pilhas, curiosos e sem medos. Os putos com as perguntas mais estapafúrdias. Os que nos dão desenhos e que querem ser como nós.

Adoro os passageiros velhinhos e simpáticos, que já não têm pressa. Exigem pouco e oferecem um sorriso e histórias doces.

Amo a magia de quem voa pela primeira vez. A alegria e nervosismo.

Adoro os que receiam mulheres nos comandos. "Daqui fala-vos a vossa comandante Beatriz" ainda é causador de cólica súbita.

Passageiros, tal como o nome indica, são passageiros, vão e vêm. Não ficamos sentidos. Entendemos. Preferimos quem nos trate bem e quem entenda que as vossas queixas são nos sobretudo alheias. Não decidimos a greve do ATC em França, nem o limite do espaço nas bagageiras, nem tão pouco tivemos influência no nevoeiro que causou o atraso. Sabemos que somos o rosto das vossas dores e que estamos sempre a ser julgados por vós. Nem sempre conseguimos ajudar e agradar todos.

Chegámos por agora ao fim, aterrámos ao som das palmas efusivas dos viajantes.

Ai...

Passageiros.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Quem quer trabalhar no Dubai?

Estas duas empresas estão a recrutar assistentes e comissários de bordo. Ambas exigem uma mudança para o Dubai. É uma questão de escolha do tamanho da aeronave 😉

A quem interessar.


terça-feira, 2 de outubro de 2018

Ode ao cabineiro





Serve o presente texto para glorificar o vulgo cabineiro, hospedeira ou comissário, assistente de bordo ou aquilo que lhe queiras chamar.

Upa, upa, vinde daí, Navigator!

Antes de mais, quero que percebam que adoro cabineiros.
Adoro todos, mas mesmo todos.

Os recém chegados, cheios de pica como aquelas com tranças complexas à Kardashian logo pela manhã, aqueles maçaricos mais lentos e envergonhados, que tomam nota de tudo e lêem todos os briefings ou ainda aqueles que tratam todos por você. Aquele novato cabineiro repleto de sonhos e fome do mundo, desejoso que o convidem a passear nas estadias. Aquela novata nervosa que se atrapalha a falar com pessoas e com medo que alguém lhe pergunte algo de aerodinâmica. Aquele puto pintarolas cheio de lata e atrevido, ou aquele cheio de perguntas e bloqueios. E aquele puto ambicioso que entra a manifestar interesse em ser chefe mas que ainda não pesca nada desta vida?

Adoro especialmente aquela cabinfluencer cheia de si, selfies e instastories. Adoro a novata que ainda sabe com quem voou, nomes e estadias, e secretamente não entende como os outros já nem sabem quem ela é. E aquele novato que já nasceu depois do Titanic? Pois é. Já andam por aí.

E a cabineira que chega 1h antes da apresentação e com uma maquilhagem digna de um pro, com um incrível dégradé de sombras com as cores que vêm definidas em regulamento (claro) e um perfeito e suculento baton.

Aquele brilho e alegria de quem entra. Há que adorar.

Adoro também aquele que ao fim de uns meses já generaliza como se cá andasse há anos e opina como um cabineiro senior.

Adoro a que se organiza, que sabe sempre tudo e é metódica, tem apontamentos com títulos de diversas cores, para além do azul do Holiday Inn de Londres. Aquele cabineiro RP que todos conhecem ou aquela cabineira que quer é ser piloto.

Adoro aquela maluca que não consegue largar as charters e que teima em não crescer. Como a entendo.

Props aos putos da proteína e que após a estucha da vida ainda vão ao ginásio. Adoro o que não falta ao pequeno almoço e faz sandes para depois e aquela que aproveita para dormir e fazer o que lhe dá na real gana. Adoro a fanática da DM, dos M&M's de manteiga de amendoim e da lingerie sexy da VS. Já não vive sem isto. Cada um sabe por que cá anda. Eu só cá ando pelo babybel que costuma embarcar com a minha refeição.

Não nos podemos esquecer também dos loverboys atentos às inúmeras gatas cósmicas, aqueles que roubam a PIL do chefe para tomar nota dos nomes das felinas. Um bem haja às Redes sociais. Amén.

Adoro todos aqueles convívios onde se refresca a alma com vinho após um voo, pois isso é que é bom CRM. E um cabineiro gosta de defender um bom CRM.

Ode ao cabineiro repleto de ímans do mundo, placas de matrículas ou de inúmeros "já agora", ou aquele com pins de aviões e remove before flight tags mas que mesmo assim diz que não gosta assim tanto disto. 

Adoro a assistente que contagia toda a tripulação com o seu bom humor e que torna tudo mais fácil.

Ode ao cabineiro cansado, aquele que lê o jornal no embarque, aquele que não quer mesmo que o chateiem. Aquele que coloca logo águas no gelo de início para que congelem os dentes se lhe pedirem água para remédio. É no fundo aquele cabineiro que já perdeu o seu fulgor, que vê mal em tudo mas que também não quer sair.

Gosto daquele que julga que a sua opinião é importante num refrescamento, que vem munido de uma voz forte e colocada, ou daquela que questiona e propõe diversas alterações em importantes áreas da companhia, a verdadeira gestora cabineira, ou aquela que ainda envia emails com sugestões e que não perde a esperança. 

Adoro o hospedeiro a quem a cocote subiu à cabeça e faz tudo à sua maneira. Adoro os atletas de maratonas de trolleys durante o serviço, na ânsia de ganharem uma cafeteira de ouro (só pode ser a explicação) ou aqueles cabineiros fatigados que se escondem nos lavabos.

Devia existir um hino a ti, cabineiro já velho e desbocado, que já nada teme, ou aquela que já deixou de socialibilizar há anos pois já não está para isso. 

E a recém mamã que só pensa no bebé em casa e que sente o coração na boca nas descolagens? Não é fácil.

Adoro o cabineiro que secretamente tem medo de voar e a cabineira que ainda sonha em fazer parte do mile high club.

Aquela que instiga a novata a mudar rapidamente de vida para que não cometa os seus erros, erros esses causados somente e exclusivamente devido às ausências da aviação. Adoro aquele que já se esqueceu até dos rostos de com quem voou. 

Um especial elogio a ti, à verdadeira assistente de bordo, aquela que não perde o sorriso depois de décadas de céus e que continua bonita e jovem. Especial louvor àqueles que já apanharam sustos da vida e que ainda cá andam.

Adoro o cabineiro que vive ainda na era do glamour e se recusa a adaptar.

Fazem todos parte da miscelânea diária que temos a bordo. Somos uma espécie que nem todos entendem e que adoram julgar do exterior. Pouco nos importa, na verdade. Somos unidos pela hipóxia.

Todos fomos, somos e seremos mais do que um personagem deste texto. Isso é certo. Somos uma espécie em evolução.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

A Volotea está a recrutar

A Low-cost Volotea está a recrutar cabineiros para as suas bases.
Oferece o curso de conversão a quem já tem o curso mas também disponibiliza cursos iniciais com alojamento e refeição a quem não tem (1950€).







segunda-feira, 6 de agosto de 2018

A EasyJet está a recrutar para a base de Lisboa


Olá Cabineiros e futuros Cabineiros!


Lamento a minha ausência do blog. Esta deve-se a muitos voos e mudanças.

Posto isto, venho avisar-vos que a EasyJet está a recrutar para a base de Lisboa (entre muitas outras pela Europa fora). Vai iniciar entrevistas em Outubro e até lá terão que enviar candidatura, fazer os testes online e agendar dia para entrevista.

Partilhem os vossos testemunhos e eu prometo que voltarei com mais informações sobre este assunto.

Boa sorte a todos!

PS - A TAP vai continuar o seu processo de recrutamento em 2018 e 2019. 700 novos tripulantes serão contratados em 18 meses (anúncio feito pelo próprio presidente).

  

Cabin Crew - Lisbon Fixed Term Contracts 2019

 
https://easyjet.taleo.net/careersection/2/jobdetail.ftl?job=08502&tz=GMT%2B01%3A00

 

Description

 
TAKE OFF IN 2019!

 

Our next Assessment Days for Summer 2019 flying positions in Lisbon will take place in October 2018
 
This is a vibrant place to work. Our pace makes us exciting. Join us and watch your career take off.
 
Our ‘Orange Spirit’ is what makes us unique, and a great airline to fly with and work for. Our collective passion, energy and spirit of adventure will inspire you, motivate you and make sure you always enjoy coming to work. You’ll have a fantastic opportunity to drive your own development, all while sharing in our amazing success. It really is a career like no other.
 
What’s on offer?
 
As one of Europe's largest airlines, we’re as high-performing and fast-growing as businesses come. Our people are at the heart of our success, and we love sharing it with them.
 
Benefits
 
     •  A competitive salary with additional payments per flight
     •  Our training is amongst the best in the business to help you be confident
        and the best you can be and is provided at no cost to you
     •  Unlimited staff and standby travel across the easyJet network
     •  Development opportunities and the chance for promotions within 12
        months of joining
     •  10% commission of on-board sales, divided amongst the operating crew
     •  Crew catering provided on every flight
     •  Discounts throughout the travel industry and local offers at base 
     •  easyJet Plus membership – speedy boarder, pre-book seats 
     •  Annual leave & roster preferencing
 
Role & Responsibilities
 
     •  Ensure our  company policies  and safety procedures are followed at all
        times
     •  Greet customers with enthusiasm, passion and personality - ensuring their
        journey is safe, easy and memorable
     •  Deliver great customer service on each flight, including on-board Bistro &
        Boutique services
     •  Maintain a great on-board environment
     •  Help customers with any questions
     •  Work closely with your on-board team to maintain our great on time
        performance
     •  Attend our training and development programme, which will help you grow
        as an employee and ensure we continue to deliver outstanding customer
        service
     •  Live our easyJet Customer Charter in everything you do



Requirements of the Role

 
Role requirements

 

     •  Aged 18 or over
     •  Height 5’2” (157.5 cm) to 6’3” (190cm) without shoes,
     •  Be able to fit into an Airbus aircraft jump seat harness without a seatbelt
        extension
     •  Fit and able to pass a medical assessment
     •  Fluent in both written and spoken English and Portuguese
     •  Able to swim 25m without any assistance, tread water for at least a minute
        and climb into a life raft from the water
     •  Able to live and work in the UK without restriction
     •  Must hold a EEA passport that allows you to travel freely to all our
        destinations without restriction
     •  Live within 90 minutes of your chosen base and be prepared to make this
        journey every day, at any time of the day
     •  Confident in a customer-facing role, preferably with previous experience of
        working with customers
     •  Have no visible tattoos or body piercing that can’t be covered discreetly
     •  A verifiable five-year activity history for referencing purposes
     •  To obtain an aircrew ID, you’ll also need to supply us with a valid Criminal
        Record Check (CRC)
     •  It’s essential that you have a valid email address and internet connection
        so you can receive your monthly roster and associated changes
        electronically.
 
Things to think about before applying
 
If you haven’t done so already, you may want to complete our ‘Try before you fly’ quiz to see if the role of Cabin Crew suits you.
 
We are an inclusive employer with equality, diversity and fairness at the heart of our values.  We welcome applications from individuals from all different backgrounds and are committed to promoting fair participation and equality of opportunity for all of our job applicants.
 
What happens next?
 
Once you submit an application you’ll be sent three online assessments that shouldn’t take longer than 30 minutes in total. If successful you’ll be invited to one of our assessment days to find out more about us.
 
We’d love to hear from you so submit an application and join Generation easyJet!


Business Area

 Cabin Crew

Primary Location

 Portugal-Lisbon-Lisbon Airport

Organisation

 Cabin Services

Schedule

 Full-time

Unposting Date

Ongoing